Enquanto a Nigella Lawson é a minha rainha da tacharia, os rapazes do Baked são os meus ídolos da bolaria, verdade, não ando a trair a Nigella porque tendo a oportunidade ela estaria sempre primeiro, mas há que dar crédito onde ele é devido.
Um dos planos desta viagem era um passeio por Nova Iorque a provar tudo o que era bolo e decidir quais seriam os melhores e sem dúvida uma das coisas que eu ansiava, não só porque tenho um bocado alma de lambona mas também porque me daria a oportunidade de provar coisas que apenas tinha lido ou experimentado fazer sem termo de comparação com o original.
Começou por uma ida até Brooklyn, ainda que longe como o caraças e que implicou uma viagem de comboio, outra de metro e uma de autocarro era sem dúvida aquela que eu mais queria, claro que isto não seria uma simples ida a uma pastelaria/padaria se não tivesse uns certos je ne sais quois pelo caminho. Estávamos nós em pleno autocarro, sentados na última fila porque os putos fixes sentam-se sempre na última fila e a usar o GPS do telemóvel para perceber exactamente qual era a nossa paragem quando um senhor de meia idade olha para mim e pergunta “Where are you boys going?” e dissémos que íamos à Baked e ele respondeu “Oh wow, they have great coffee! Tell ‘em Charlie from *privado* sent ya, they’ll take care of you.”
Dito isto, saca de um tupperware enorme com sandes de pão de forma integral e muita salada e começa a almoçar em pleno autocarro. Senti-me um bocado voyeur de refeição, o senhor era um querido mas decidiu mastigar a bela da sande mesmo à minha frente e mastigava vigorosamente deixando-me numa posição desconfortável em que se eu virasse a cara dava a impressão que eu estava incomodado porque não havia forma natural de ficar noutra posição e o meu companheiro de viagem continuava agarrado ao telemóvel o que me teria dado uma excelente oportunidade para conversar mas tive que partilhar aquele momento íntimo entre o Charlie e a Sande, talvez o threesome mais estranho que tive na minha vida e bem que diz a Samantha Jones que só devemos alinhar se formos a estrela convidada e eu estava ali um pedaço de penetra.
Logo a seguir entrou uma rapariga pela entrada traseira do autocarro e decidiu começar a gritar com o motorista “Don’ worry, don’ worry, I’m gonna pay mah fare!”, mas mais surpreendente do que voz dela parecer a do Tony Danza no “Who’s The Boss” era o perú que ela tinha na cabeça, de cabelo todo apanhado, o hairdo acabava numa extensão que ainda que pertencesse à muy nobre família dos ratos mortos que vemos na cabeça das pessoas por terras lusas mas era na realidade uma espécie de perú… ou traseira de perú, e já que falo em traseira, a dela e a da amiga (que lhe acabou por comprar o bilhete e poderia ter evitado aquela gritaria toda para começo de conversa) fizeram ali um pequeno eclipse solar que me fez achar que o fim do mundo tinha finalmente chegado.
Chegados à Baked, o pior destas coisas é escolher, graças aos deuses que os cupcakes eram pequeninos porque decidímos que podíamos comer um cada, a escolha foi o Sweet & Salty cupcake (bolo de chocolate regado com caramelo, ganache batida de chocolate e caramelo e fleur de sel) e o Lemon Drop Cupcake (bolo de limão recheado com lemon curd e com lemon buttercream), o de limão bateu o de chocolate aos pontos e finalmente fez-se luz para o meu anfitrião que deita fora imensas gemas e eu passava o tempo todo a gabar lemon curd, o que vale é que demora mas chega lá.
A seguir passámos pelo Momofuku Milk Bar, um add on ao restaurante Momofuku conhecido por servir leite de cereais (e quando falo em leite de cereais, não pensem em leite de arroz ou amêndoas, mas sim leite que macerou cereais de pequeno almoço, foi coado e é servido como bebida), pelas Compost Cookies (que levam tudo, desde borras de café a batatas fritas) e por Crack Pie, uma tarte tão saborosa que vicia instantaneamente como o crack… quer dizer, acho eu… Comprei três bolachas, Cornflakes & Marshmallows, Blueberry Cream e Compost), até agora só comi a Compost que ainda que não seja uma má bolacha, estava à espera de contraste nos sabores e fiquei um bocado com um sabor homogéneo que me desiludiu, talvez porque esteja habituado às minhas M cookies que basicamente levam tudo e os componentes conseguem distinguir-se, talvez quando as adaptar consiga resolver. Depois experimentámos Crack Pie e só vos tenho a dizer que é verdade, passei o resto do dia a querer voltar para trás e comer mais uma fatia (só comi metade) e basicamente quando me deitei ainda falava naquilo. E já agora, eu que achava que uma sugar high era um mito urbano porque nunca tinha tido nenhuma… tive… a minha primeira, só me apetecia correr que nem um maluquinho pela rua. Confesso que quando comecei a escrever o artigo ainda não tinha comido as outras duas bolachas, mas entretanto comi a Blueberry & Cream e Cornflakes & Marshmallows e eram bem melhores.
A seguir fomos ao Macaron Cafe que tinha bons macarrons mas eram um pouco densos e fomos alegremente à Ladurée matar saudades de Paris onde ainda meti dois dedos de conversa com a empregada francesa e depois fomos para a parte final da nossa viagem no Sprinkles cuja fundadora Candace Nelson é gabada por muitos como uma excelente criadora de cupcakes, especialmente pela Martha Stewart (só aqui eu devia saber que não ia correr bem, lembram-se deste artigo) e foi horroroso, o frosting era tão doce, mas tão doce que não conseguíamos distinguir os sabores, a versão dela de Red Velvet só me sabia a chocolate e o açúcar intoxicava todo o resto, um casal que lá estava viu o nosso saco da Ladurée e acabou por ir para lá enquanto nós fomos almoçar ao mexicano para tirar todo aquele açúcar.
A noite terminou com neve em Times Square (depois de uma visita ao Toys ‘R Us e uma constatação que a edição do Edward do Breaking Dawn é assustadora) e um regresso a casa, curiosamente ainda tinha pés porque passei o dia enfiado em botifarras e quero deixar-vos com dois conselhos que ainda que se fossem bons vendiam-se, quero que meditem nestes por favor:
Se a Martha Stewart recomenda alguma coisa que vocês não vêm mais ninguém de confiança a recomendar, então fujam.
Nunca experimentem crack, nem mesmo numa tarte, vão ficar viciados, ainda hoje acho que estou a ressacá-la.



